sábado, 30 de junho de 2012

Analogia entre Músicas e Pessoas

Reparei num paralelo entre conhecer uma pessoa e a minha forma de conhecer uma música.

Há músicas em que o que me atrai de imediato é a melodia, independentemente da letra que esteja a ser cantada, em que língua for. Da mesma forma, há pessoas cuja maneira de ser nos cativa de imediato, independentemente das suas convicções.

Há músicas que me cativam ao ponto de tentar descobrir sobre o que é a letra, perdendo parte do encanto quando reparo que há partes da mensagem que nunca cantaria em voz alta. Da mesma forma, há pessoas que nos cativam ao ponto de querermos saber mais sobre elas, perdendo parte do encanto quando ficamos a conhececer convicções suas com as quais nunca concordaríamos (em voz alta).

Por fim, fora as "perfeitas" em melodia e letra, há músicas em que a mensagem da letra me fica na memória de tanto sentido que faz, mas têm uma melodia que não cativa de todo. Da mesma forma, há pessoas que têm convicções comuns às nossas, mas cuja maneira de ser não nos cativa nem um pouco. É por isso que a descoberta das suas mensagens ou convicções se torna mais difícil.

2 comentários:

  1. Bem pensado, realmente é uma comparação muito interessante.
    Agora que me puseste a pensar sobre isso a postura que adopto é bastante semelhante quando sei que vou conhecer novas músicas ou novas pessoas. Mas é só mesmo nessa parte de "approach". Quando oiço uma música nova, por acaso - ou porque está a passar na radio ou num sítio qualquer onde estou - posso ficar "oh my god, esta música é excelente, adoro, tenho que sacar". Já com pessoas mesmo que goste delas num primeiro contacto, ao contrário das músicas eu estou só a roçar a superfície e possivelmente sei muito pouco sobre essa pessoa (podendo querer aprofundar mais esse conhecimento), enquanto que a música (para mim claro, não é obviamente assim para toda a gente), é o que eu oiço, ela é pura e imutável, é o que é, não há nada para ser descoberto ou ser elaborado, ou gosto ou não gosto. Mas isso deve-se ao facto de eu não ligar nada às lyrics das canções, a não ser que as perceba, e aí elas podem influenciar se gosto ou não da canção em si, mas se não entender, não sinto necessidade de ir saber o que significam, as lyrics nesse caso valem-me pela melodia e emoção que transmitem e não pelo significado "escrito" que têm, passam-me sim um significado que eu escolho interpretar da maneira que eu quiser. Para te dar um exemplo, a maior parte das músicas em japonês dos OOR eu não sei muito bem o que significam e também acho que prefiro não saber porque o significado que no momento têm para mim seria "destruído" a partir do momento que soubesse o que realmente significam e no entanto não é por não saber que deixo de adorá-las.

    Erm, wow... wall of text... Enfim, no fundo identifico-me com a analogia que traçaste em algumas circunstâncias e noutras não. Mas bottom line é que é uma analogia muito interessante e que dá realmente que pensar (e que escrever lol)
    :)

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    1. Percebo a distinção que estás a fazer, e concordo até certo ponto. Não é possível, ou digamos fácil, ficar a conhecer uma pessoa tão bem num curto espaço de tempo quanto é possível ficar a conhecer uma música. Há uma data de subtilezas que não existem e, como dizes, a música é imutável.

      Ainda assim, no meu caso acaba por não ser tão rígido no "gosto ou não gosto". Costuma acontecer-me com alguma frequência reparar em algum pormenor de uma música que nunca tinha reparado depois de a ouvir vezes sem conta. Ou porque das outras vezes estava a dividir a atenção com outra coisa, ou porque havia algum ruído extra de fundo, ou simplesmente nunca tinha prestado atenção àquelas notas.

      E sim, também me acontece às vezes ficar com receio de ir ver o significado das lyrics, não vão eles estar para ali a cantar coisas "parvas" e estragar a melodia :P Não tem acontecido, felizmente.

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