segunda-feira, 14 de maio de 2012

Procuro, Desespero

- E aí eu perguntei-lhe o que queria, e ele disse que não sabia! - exclamou ele para o auscultador, sem conseguir deixar escapar um pouco de descontrolo.
- Tem calma Artur, tudo se vai resolver! - disse ela, mordendo o lábio inferior, tentando manter-se calma - Onde é que ele está? 
- Já to disse por três vezes! Já corri isto tudo... - vociferou ele, apercebendo-se que levantou o tom de voz mais do que desejava.
- Artur... - suplicou ela, não conseguindo já esconder a sua preocupação.
- ...n-não o encontro em lado nenhum. - disse ele desesperado.
Tremia de nervosismo, mais do que alguma vez julgara possível. Sempre fora tão controlado, mas perante uma situação daquelas faltava-lhe o controlo. Quem é que conseguiria controlar-se depois de ter perdido o filho de vista daquela maneira, já havia uns longos 30 minutos.

***

A alguns quilómetros de distância, num dos muitos escritórios da Segunda Divisão dos Serviços Especiais de Segurança, dois homens com uniforme similar ao de um polícia convencional escutavam atentamente a conversa que estava a ser reproduzida pelo computador. Um dos intervenientes era um homem que estava num centro comercial e parecia ter-se perdido do filho, tendo ligado à mulher em busca de auxílio.
- Já desligaram, corta o sinal. - disse um dos agentes, levantando-se da cadeira.
- Feito. E agora, como fazemos? - perguntou o outro.
- Como assim, "como fazemos"? - perguntou, tentando desviar a conversa. Já conhecia aquele olhar. - Sabes tão bem como eu que não podemos fazer nada, Simão. Só o termos escutado uma conversa de civis sem autorização já é ilegal, quanto mais se usarmos o sistema de localização ou enviarmos unidades para auxílio.
- Ora aí está o Ricardo que eu conheço. - disse, com um sorriso nos lábios - Agora é só traçarmos o plano de acção.
- Mas, eu acabei de dizer que era ilegal! - exclamou, fitando Simão com um ar confuso - A probabilidade de sermos apanhados por esta escuta é mínima, mas se usamos o sistema de localização as coisas não vão ser tão cor-de-rosa. Lembra-te da última vez...
- Eu sei, eu sei... mas- - começou por dizer, revirando os olhos com a referência.
- E se enviarmos unidades para auxílio, ainda pior. Não é que possamos mobilizar unidades sem informar detalhadamente o objectivo e as fontes de informação.
- MAS... - continuou Simão, ligeiramente irritado com a interrupção - podemos sempre tratar disso nós mesmos, não é verdade?

N.A.: Apesar de não ser objectivo escrever uma história completa, queria ver se expandia um pouco mais. Mas visto que já estava nos rascunhos há mais de um ano, mais vale seguir.

2 comentários:

  1. Interesting. Parece um excerto de um livro.

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    1. Obrigado. Foi mesmo pensado como um excerto tirado de uma história maior, apesar de essa história não existir :P Ainda bem que a ideia passou.

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