sexta-feira, 4 de maio de 2012

Encontro de Gerações

Dois rapazes corriam pela sala, um perseguindo o outro, numa agitação desenfreada que contagiava todos à sua volta, à medida que o fugitivo circundava a mesa grande, fazia fintas por detrás das cadeiras e utilizava os corpos dos adultos como manobra de diversão para se escapar, sendo rapidamente seguido pelo outro rapaz numa marcação cerrada que não deixava antever quem teria mais resistência. Nos breves momentos de pausa que faziam, em lados opostos de um qualquer obstáculo que lhes aparecia no caminho, eles olhavam-se e riam, ofegantes, tentando predizer qual a direcção que o adversário iria tomar. E tal como tinham parado, já estavam numa correria de novo, sem se importarem com as vozes das suas mães pedindo-lhes que se acalmassem um bocadinho, num tom de voz que oscilava entre a zanga e a súplica.

Assim continuariam, até à exaustão ou alguma escorregadela quebrar a brincadeira, não fosse a intervenção sábia do seu avô para pôr cobro à correria:
- Vamos a abrandar meninos - disse-lhes, levantando um pouco a voz para se fazer ouvir - venham cá que tenho algo para vos oferecer aos dois.
Após um momento de indecisão, em que pararam a fitar-se mais uma vez, os curiosos rapazes concordaram em abdicar da sua brincadeira, sabendo que as prendas do seu avô valiam sempre a pena. Era um ritual a que os habituara desde bem pequenos, pois sempre que falava em dar-lhes prendas o que realmente fazia era contar-lhes uma das suas histórias. Histórias que os deixavam atentos a cada palavra e gesto, enchendo-os de perguntas sem fim para as quais o seu avô tinha sempre resposta.

2 comentários:

  1. É giro esse encontro de gerações, os nossos avós contarem as historias da sua vida, as experiências, as brincadeiras, as belas palmadas que levavam quando faziam asneiras, os trabalhos domésticos e da agricultura, enfim as suas historias de alegrias e tristezas de tempos que nada têm a ver com os de agora. Eu neste momento tenho só uma avó viva, da parte do meu pai. OS outros posso dizer que mal conheci e o avó paterno nem cheguei a conhecer. Esta que ainda permanece entre nós, pouco ou nada estou com ela, mas pronto, é a vida, nem sempre perfeita. Mas às vezes lá ouço umas historias vindas dela :)

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  2. Os avós são preciosos, em geral são das pessoas que nos mais apegamos quando somos crianças, sendo que nos ensinam de imensas coisas da vida com a sua imensa sabedoria e experiência de vida. Frequentemente são também as que nos ensinam quão duro e difícil é perder alguém que nos é muito querido e de que temos que aproveitar cada momento com as pessoas que amamos porque nunca sabemos se haverá uma próxima oportunidade.
    O teu texto invoca precisamente essas recordações mágicas que temos das nossas infâncias passadas junto aos nossos fantásticos avós.
    :) bem haja a ti e a todos os avós fantásticos por esse mundo fora

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