quarta-feira, 21 de março de 2012

Não há nuvens no céu

Não há nuvens no céu a ensombrar o meu cantinho,
Por mais dias que passem, sou só eu e um ventinho.
De que vale ter o chapéu lá num canto a secar,
Ter umas botas e luvas para o frio não entrar.

São as chuvas da vida que me levam a esquecer,
Tão depressa caio ao chão, como a seguir estou a correr.
Para mim hoje é Agosto, está um calor de arrasar,
Parece cá um desgosto, anda lá vou-te contar!

Passo horas acordado, sem conseguir distinguir,
Tudo à volta é o mesmo, só me apetece dormir.
Vejo-me de manhã ao espelho, umas olheiras de arrasar,
De noite lembro um fedelho, não me quero ir deitar.

São as chuvas da vida que me levam a esquecer,
Tão depressa caio ao chão, como a seguir estou a correr.
Para mim hoje é Agosto, está um calor de arrasar,
Parece cá um desgosto, anda lá vou-te contar!

Vou esperando paciente que venham melhores dias,
Até lá relaxo a mente e recupero as energias.
Mãe, esta vaga de calor faz-me perder a sanidade,
Trás-me água por favor, o que te digo é verdade.

Não vês que este sol me está' deixar mal disposto,
Ter de o ver todos os dias é piada de mau gosto.
Porque sem um equilíbrio, já não sei em que contar.
Se não fosse pelas nuvens, porque não viver no mar?

São as chuvas da vida que me levam a esquecer,
Tão depressa caio ao chão, como a seguir estou a correr.
Para mim hoje é Agosto, está um calor de arrasar,
Parece cá um desgosto, anda lá vou-te contar!

Não há-á-á nuvens no céu...

N.A.: Dia Mundial da Poesia! Letra alternativa para a canção "Não há estrelas no céu" do Rui Veloso.