sábado, 22 de setembro de 2012

haiku #2

Caem as folhas.
As memórias então,
Preenchem o chão.

N.A.: Desculpa para dar as boas vindas ao Outono!

sábado, 30 de junho de 2012

Analogia entre Músicas e Pessoas

Reparei num paralelo entre conhecer uma pessoa e a minha forma de conhecer uma música.

Há músicas em que o que me atrai de imediato é a melodia, independentemente da letra que esteja a ser cantada, em que língua for. Da mesma forma, há pessoas cuja maneira de ser nos cativa de imediato, independentemente das suas convicções.

Há músicas que me cativam ao ponto de tentar descobrir sobre o que é a letra, perdendo parte do encanto quando reparo que há partes da mensagem que nunca cantaria em voz alta. Da mesma forma, há pessoas que nos cativam ao ponto de querermos saber mais sobre elas, perdendo parte do encanto quando ficamos a conhececer convicções suas com as quais nunca concordaríamos (em voz alta).

Por fim, fora as "perfeitas" em melodia e letra, há músicas em que a mensagem da letra me fica na memória de tanto sentido que faz, mas têm uma melodia que não cativa de todo. Da mesma forma, há pessoas que têm convicções comuns às nossas, mas cuja maneira de ser não nos cativa nem um pouco. É por isso que a descoberta das suas mensagens ou convicções se torna mais difícil.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Se o universo quiser saber

Se o universo quiser saber,
Não fujas, segue em frente.
Agarra no teu lápis de carvão
E esvazia a tua mente.

Se o universo quiser saber,
Não cedas, enche-o de curiosidade.
Deixa-o intrigado em descobrir
De que é feita a criatividade.

Se o universo quiser saber,
Não o ouças, ouve-te a ti.
Ele pensa que sabe de tudo,
Mas cada escritor sabe de si.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Letras de que me recordo

Desde que te gostei,
Uns bons anos passaram,
Mas nunca esquecerei
As letras que desfilaram.

Descreviam momentos,
Sonhos e emoções,
De uma forma tão livre
Que só sei recordações.

Sinto que não sinto.
Não como outrora.
Falta-me aquele ímpeto
De deitar cá p'ra fora.

Escrever, até escrevo.
Um pouco a medo, talvez.
Só aumenta o relevo,
Da liberdade, outra vez.

Coloco-me numa prisão,
Descrevo o céu incompleto.
Tal como descreve o chão,
Quem só olha para o teto.

Sobrevalorizo quem lê,
Ainda que só leia eu.
Não sei bem porquê,
Este cisma que me deu.

Quando olho para trás,
Inspiro-me no que já fiz.
Sim, sei como se faz.
É o passado que o diz.

Escrever, até escrevia.
Um pouco a medo, verdade.
Mas caso não fazia,
Do resto da humanidade.

N.A.: Nada contra quem lê, apenas divagações de há uns meses atrás.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Procuro, Desespero

- E aí eu perguntei-lhe o que queria, e ele disse que não sabia! - exclamou ele para o auscultador, sem conseguir deixar escapar um pouco de descontrolo.
- Tem calma Artur, tudo se vai resolver! - disse ela, mordendo o lábio inferior, tentando manter-se calma - Onde é que ele está? 
- Já to disse por três vezes! Já corri isto tudo... - vociferou ele, apercebendo-se que levantou o tom de voz mais do que desejava.
- Artur... - suplicou ela, não conseguindo já esconder a sua preocupação.
- ...n-não o encontro em lado nenhum. - disse ele desesperado.
Tremia de nervosismo, mais do que alguma vez julgara possível. Sempre fora tão controlado, mas perante uma situação daquelas faltava-lhe o controlo. Quem é que conseguiria controlar-se depois de ter perdido o filho de vista daquela maneira, já havia uns longos 30 minutos.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Encontro de Gerações

Dois rapazes corriam pela sala, um perseguindo o outro, numa agitação desenfreada que contagiava todos à sua volta, à medida que o fugitivo circundava a mesa grande, fazia fintas por detrás das cadeiras e utilizava os corpos dos adultos como manobra de diversão para se escapar, sendo rapidamente seguido pelo outro rapaz numa marcação cerrada que não deixava antever quem teria mais resistência. Nos breves momentos de pausa que faziam, em lados opostos de um qualquer obstáculo que lhes aparecia no caminho, eles olhavam-se e riam, ofegantes, tentando predizer qual a direcção que o adversário iria tomar. E tal como tinham parado, já estavam numa correria de novo, sem se importarem com as vozes das suas mães pedindo-lhes que se acalmassem um bocadinho, num tom de voz que oscilava entre a zanga e a súplica.

Assim continuariam, até à exaustão ou alguma escorregadela quebrar a brincadeira, não fosse a intervenção sábia do seu avô para pôr cobro à correria:
- Vamos a abrandar meninos - disse-lhes, levantando um pouco a voz para se fazer ouvir - venham cá que tenho algo para vos oferecer aos dois.
Após um momento de indecisão, em que pararam a fitar-se mais uma vez, os curiosos rapazes concordaram em abdicar da sua brincadeira, sabendo que as prendas do seu avô valiam sempre a pena. Era um ritual a que os habituara desde bem pequenos, pois sempre que falava em dar-lhes prendas o que realmente fazia era contar-lhes uma das suas histórias. Histórias que os deixavam atentos a cada palavra e gesto, enchendo-os de perguntas sem fim para as quais o seu avô tinha sempre resposta.

domingo, 22 de abril de 2012

Memories from the Future

I've been finding some memories from when I was old,
A collection of stories and truths to be told.
Still, it's hard to imagine the future back then,
With no notion of present, no notion of when.

There are stories of these which I will recognize,
Filled with fables and legends that I do patronize.
There are others, however, so different from now
That learning the future won't help me know how.

There are stories of faeries and wizards and elves,
With magical books flying away from the shelves.
The difference in those is the role that I play:
I'm a tree or a flower or a rock in their way.

There are stories of a courageous hero in breed,
Just waiting for a chance to finally succeed.
Succeed in making evil and sorrow never be,
Succeed in defeating the cunning villain, me.

There are stories of a natural disaster occuring,
Disrupting the living and causing their mourning.
I am the tornado and earthquake in their lives,
Who takes away the hope that always survives.

I've been finding some memories from when I was old,
A collection of stories and truths to be told,
Some seem impossible, but I feel they are not.
For dreams are a memory and they mean a lot.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Não há nuvens no céu

Não há nuvens no céu a ensombrar o meu cantinho,
Por mais dias que passem, sou só eu e um ventinho.
De que vale ter o chapéu lá num canto a secar,
Ter umas botas e luvas para o frio não entrar.

São as chuvas da vida que me levam a esquecer,
Tão depressa caio ao chão, como a seguir estou a correr.
Para mim hoje é Agosto, está um calor de arrasar,
Parece cá um desgosto, anda lá vou-te contar!

Passo horas acordado, sem conseguir distinguir,
Tudo à volta é o mesmo, só me apetece dormir.
Vejo-me de manhã ao espelho, umas olheiras de arrasar,
De noite lembro um fedelho, não me quero ir deitar.

São as chuvas da vida que me levam a esquecer,
Tão depressa caio ao chão, como a seguir estou a correr.
Para mim hoje é Agosto, está um calor de arrasar,
Parece cá um desgosto, anda lá vou-te contar!

Vou esperando paciente que venham melhores dias,
Até lá relaxo a mente e recupero as energias.
Mãe, esta vaga de calor faz-me perder a sanidade,
Trás-me água por favor, o que te digo é verdade.

Não vês que este sol me está' deixar mal disposto,
Ter de o ver todos os dias é piada de mau gosto.
Porque sem um equilíbrio, já não sei em que contar.
Se não fosse pelas nuvens, porque não viver no mar?

São as chuvas da vida que me levam a esquecer,
Tão depressa caio ao chão, como a seguir estou a correr.
Para mim hoje é Agosto, está um calor de arrasar,
Parece cá um desgosto, anda lá vou-te contar!

Não há-á-á nuvens no céu...

N.A.: Dia Mundial da Poesia! Letra alternativa para a canção "Não há estrelas no céu" do Rui Veloso.

sábado, 28 de janeiro de 2012

haiku #1

Branco o céu,
Nada vejo senão
Gotas de chuva.

N.A.: Não sei se pega, mas fica a experiência. Para saber o que são haiku, wikipedia.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Before and then

The sky is violet, sun shining bright.
He is getting ready, eyes on the wood.
Like a marionette, ready to the fight.
A whistle sound is heard, now is good.

Confident in advance, taking the lead.
Arms held up high, fists closing hard.
Take it, your chance, time to proceed.
No truth, no lie, play the first card.