quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Stress

Para não variar saio de casa em cima da hora. Felizmente quase não chove. Entro no carro e meto a chave na ignição, rodando-a só o suficiente para que apareça a luz da resistência no painel. Enquanto espero que se apague, tento recordar-me onde ligo os médios, fruto de não conduzir sempre no mesmo. A luz apaga-se, ponho o carro a trabalhar e lá os acendo. Fico uns segundos a tentar perceber se são mesmo os médios, a ligar e desligar, a procurar melhor. A luz parecia-me demasiado fraca. Mas são mesmo os médios. Sigo viagem.

Pouco depois chego à estação. Ao sair do carro, ouço um barulho familiar lá ao fundo. Será o comboio? Vem um pouco mais cedo. Pego nas minhas coisas, tranco o carro e apresso-me em direcção à linha. Quando vou para começar a descer as escadas que me permitem ir para o lado de lá do caminho de ferro, olho para trás e vejo-o. Acelero mais um pouco o passo, mas sem correr. Tenho tempo apesar de tudo: falta chegar o comboio do sentido contrário, e só aí o meu pode seguir viagem.

Chegado ao outro lado, o comboio ainda está a parar, por isso entro na segunda carruagem de 2ª classe que me aparece, para evitar a fila que se forma para entrar na primeira. Está mais vazia que o costume. Arranjo lugar facilmente, num dos muitos livres no corredor. Já cá estou, falta o bilhete.

Espero pela próxima estação pacientemente. Só aí é que o revisor costuma fazer a sua ronda, dado serem tão próximas. O comboio pára. O comboio arranca. Espero, atento a que lado do corredor ele irá aparecer. Relutantemente, acabo por chegar a mão ao bolso em busca do meu leitor de música e coloco apenas um dos fones. Queria colocar os dois e seguir a viagem descansado, mas não quero correr o risco de que a nossa distracção conjunta o faça passar por mim sem me cobrar bilhete. O problema não é o não cobrar, é o vir mais tarde a perguntar-me por ele no momento menos oportuno: quando quiser sair do comboio.

E o tempo passa, as músicas dão lugar às seguintes, e não há sinal algum. Inevitavelmente, chegamos à última estação antes da minha. Pouco depois, lá está ele, por fim, no outro extremo do corredor. Será que chega aqui antes de o comboio chegar à minha estação de destino? Será que chega aqui no preciso momento em que estou a querer ir embora? Espero com ansiedade crescente pelo desfecho da minha preocupação inútil, à medida que ele vai avançando a pouco e pouco na minha direcção. Está quase.

Quase... a interromper o que estava a fazer e passar por mim com passo apressado, dirigindo-se ao intercomunicador da carruagem a seguir para anunciar a próxima estação. Oiço-o a falar e pego nas minhas coisas mecanicamente, dirigindo-me para a porta mais próxima. Mais próxima de mim e naturalmente mais próxima dele. Extremamente bem pensado. E ali fico à espera que o comboio pare para eu poder sair, sabendo que a qualquer momento o revisor pode sair ali mesmo do lado e decidir perguntar-me pelo bilhete. Sim, tinha de ficar tudo adiado para o momento mais inoportuno.

Eventualmente o comboio pára, e eu saio. Respiro fundo. Tanto stress por causa de algo mínimo.

5 comentários:

  1. "Relax, take it eaaaaasyy...."
    Eu pensei que o stress fosse porque te tivesses esquecido do bilhete ou assim, já me aconteceu umas vezes e não é bonito! xD Agora por causa de mostrar o bilhete ao revisor, meh. Don't bother :3 Just enjoy the music, ONE OK ROCK é para ser ouvido com os dois phones! Sinner o: o/

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  2. Eu normalmente costumo sair de casa com alguma antecedência para não ter de andar nesse corre corre :) Alem do mais eu vivo numa vila, não apanho tanto stress como tu, aqui mal há transportes a não ser os próprios carros. Mas no teu lugar eu sairia um pouco mais cedo de casa, para não ter de stressar tanto logo ao começar o dia. Nem sabia que se podia fazer uma viagem de comboio e esquivar-se do revisor :p ou seja, fizeste uma viagem à borlixe, certo? :D
    Mas esse desespero todo e ansiedade era evitado, 5 min antes bastava para teres chegado à estação, comprar o bilhete e viagem sossegada com uma manha supostamente tranquila :)
    Mas pronto, foi um dia Não.

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  3. Por acaso costumo andar no corre corre de qualquer das maneiras, mas não foi isso que se passou aqui.

    Também vivo numa vila (bem, aos fins de semana) e, apesar de termos uma estação de comboio, não temos bilheteira. Daí que é o revisor que nos vem cobrar o bilhete (já estando sentados).

    Por alguma razão que me escapa, há viagens em que eles ficam retidos em algum sítio e não chegam a passar na carruagem onde estou, o que resulta em viagens à borla, sim :P

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  4. Ah! Ora que bem, de burro não tens nada :p
    E fiquei esclarecida, sempre pensei que haveria bilheteira, por isso a minha afirmação no comentário acima.

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  5. Ah tantas viagens para Aveiro a sentir esse stress durante 10 minutos e no fim acabava por viajar à borla!
    A culpa é da CP que não põem bilheteiras em todas as estações.

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