segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Dúvidas de um Viajante

Loucos são aqueles que vivem num mundo sem céu. Que escolha essa mais sem gosto. Que é que os guia? Que é que os move? Intriga-me. Sempre pensei, desde pequenino, que todos os mundos tinham um céu. Oh, que bom seria crescer e visitá-los a todos! Mas estava enganado. Este não é o primeiro que encontro, e infelizmente não será o único, com toda a certeza.

Interrogo-me.

Será que estes mundos já nascem assim? Será possível que uma barbaridade destas surja de processo natural? Custa-me a crer. Tento rejeitar esse pensamento com todas as forças que tenho. Aqui não tenho céu, que claustrofobia!

Terão eles mesmos, esses loucos, destruído o seu próprio céu? A ser verdade, é prova irrefutável que a sua loucura é mais densa e profunda que qualquer outra. Mas será sua a culpa? Quanto mais os observo mais dúvidas tenho. Não têm céu! É que não vi um único sequer olhar para cima, quanto mais. Não, eles não podem ter sido. Tem de haver outra explicação...

segunda-feira, 21 de março de 2011

Música

Alguma vez experimentaste fechar os olhos e ouvir?
A sensação de estar cego por momentos...
Mas apenas até tudo começar a fluir,
Criando todo um novo mundo, só para ti.

Quase sem dares por isso, começas a sentir.
Sentir um ritmo que te embala e te soa tão natural.
Há uma força, uma alegria, que te prova existir,
Preenchendo-te a cada nota, acorde e batida.

É algo que te faz sorrir, apenas de imaginar,
Tal é o modo como ressoa bem no fundo do teu ser.
Prendendo-te, pois é impossível de evitar,
De uma forma tão primitiva que não te soa a prisão.

Torna-se tão tu, que recebe o poder de recordar.
Guardando fielmente o que sentes e desejas,
Até ao momento em que aparece para te despertar,
Lembrando-te daquilo que foi e ainda há-de ser.

N.A.: Dia Mundial da Poesia!
Para um pequeno extra, cliquem aqui e voltem a ler :P

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Stress

Para não variar saio de casa em cima da hora. Felizmente quase não chove. Entro no carro e meto a chave na ignição, rodando-a só o suficiente para que apareça a luz da resistência no painel. Enquanto espero que se apague, tento recordar-me onde ligo os médios, fruto de não conduzir sempre no mesmo. A luz apaga-se, ponho o carro a trabalhar e lá os acendo. Fico uns segundos a tentar perceber se são mesmo os médios, a ligar e desligar, a procurar melhor. A luz parecia-me demasiado fraca. Mas são mesmo os médios. Sigo viagem.

Pouco depois chego à estação. Ao sair do carro, ouço um barulho familiar lá ao fundo. Será o comboio? Vem um pouco mais cedo. Pego nas minhas coisas, tranco o carro e apresso-me em direcção à linha. Quando vou para começar a descer as escadas que me permitem ir para o lado de lá do caminho de ferro, olho para trás e vejo-o. Acelero mais um pouco o passo, mas sem correr. Tenho tempo apesar de tudo: falta chegar o comboio do sentido contrário, e só aí o meu pode seguir viagem.

Chegado ao outro lado, o comboio ainda está a parar, por isso entro na segunda carruagem de 2ª classe que me aparece, para evitar a fila que se forma para entrar na primeira. Está mais vazia que o costume. Arranjo lugar facilmente, num dos muitos livres no corredor. Já cá estou, falta o bilhete.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Fim... do Ano

O tempo passa a conta-gotas. São os minutos finais.

Por todo o mundo, as pessoas desejam aos seus amigos e família sorte e força para o que vier a seguir. Prometem estar juntas aconteça o que acontecer, venha o que vier. Aguardam juntas o grande desconhecido.

O que viveram até então passa-lhes à frente dos olhos, alvo de um longo contemplar, com todos os "não devia ter feito isto" e "queria ter feito aquilo" que essas recordações trazem. Mas não têm mais dias, não têm mais horas, em breve nem minutos. Ficarão reduzidas a uma espera de míseros segundos.

À espera do instante em que tudo muda e, ainda assim, em que tudo fica igual. O instante em que uma fotografia nos é tirada pelo tempo, criando um novo momento do antes e do depois.